Portugal e Luxemburgo – países de esperança em tempos difíceis

O que é que Portugal pode aprender com o Luxemburgo?
O que é que Portugal pode ensinar ao Grão-Ducado?

Estamos a tentar construir uma autoestrada entre os dois países, não só em termos de investimento, mas em termos de capitais, de investimento tecnológico, de parcerias de conhecimento entre ensino e indústria“. Estas são as expectativas de Pedro Faria para a visita de Estado do Grão-Duque a Portugal de Pedro Faria. O Chief Operating Officer da Spacety é um dos muitos empresários portugueses a operar no Luxemburgo que vai estar em Portugal. 

Uma visita ao passado com olhos no futuro

As relações diplomáticas entre os dois países celebram este ano 131 anos e agora é a hora de olhar para o futuro. A história comum entre Portugal e o Luxemburgo encontra as suas origens no casamento, em 1893, entre o príncipe Guillaume Alexandre de Nassau e a princesa Maria Ana de Bragança, filha do rei D. Miguel. Dessa união nasceram seis filhos, dos quais a segunda veio a tornar-se a Grã-Duquesa Charlotte. Charlotte regressou em 1940 a Portugal, depois da invasão nazi do Luxemburgo. Passaria então algumas semanas em Cascais. 

Anos mais tarde, na década de sessenta, começa a chegar ao Luxemburgo a primeira vaga de trabalhadores portugueses que viriam a tornar-se a maior comunidade estrangeira no país.

Uma visita com agenda carregada

A visita de Estado começa amanhã, quarta-feira, 11 de maio, com a cerimónia de acolhimento oficial com honras militares frente ao Mosteiro do Jerónimos. Em seguida o casal Grão-Ducal irá depositar uma coroa de flores no túmulo do escritor Camões. Segue-se um encontro com o Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, e depois haverá declarações dos dois chefes de Estado. 

Depois de um almoço privado com o chefe de Estado português, o Grão-Duque e a Grã-Duquesa serão recebidos pelo presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas. Seguem depois todos para uma visita à parte histórica da capital lisboeta que será feita no emblemático elétrico 28.

À noite o casal Grão-Ducal participa num jantar de gala, oferecido por Marcelo Rebelo de Sousa, no Palácio da Ajuda.

O segundo dia, quinta-feira, dia 12 de maio, começa com uma visita à Fundação Champalimaud. Segue-se o Fórum Económico Portugal Luxemburgo, organizado pelo ministério da Economia, Câmara de Comércio do Luxemburgo e pela Agência para o Investimento e Comércio Exterior de Portugal (AICEP). 

António Costa, primeiro-ministro português vai receber o casal Grão-Ducal que depois de um almoço com o chefe do executivo português seguirá para Cascais. Aí farão uma visita guiada à exposição “Portugal-Luxemburgo, país de esperança em tempo de desespero”. Depois é tempo de visitar a Casa de Santa Maria de Cascais, que acolheu a família Grão-Ducal, nomeadamente a Grã-Duquesa Charlotte, depois da invasão alemã do Luxemburgo em junho de 1940.

Exposição
Portugal e Luxemburgo – países de esperança em tempos difíceis
com curadoria de Margarida de Magalhães Ramalho e Claude Marx

Em 2019, a Memoshoah Luxemburgo convidou a equipa responsável por Vilar Formoso, Fronteira da Paz, Memorial aos Refugiados e ao Cônsul Aristides de Sousa Mendes a fazer uma exposição no Luxemburgo, no âmbito da Presidência luxemburguesa do IHRA (International Holocaust Rememberence Alliance).
A exposição, com curadoria de Margarida de Magalhães Ramalho e Claude Marx, teve lugar, entre Fevereiro e Setembro de 2020, no Centre Culturel de Rencontre Abbaye de Neumünster na cidade do Luxemburgo.

Com o título, Portugal e Luxemburgo, países de esperança em tempos difíceis a exposição fala do papel de Portugal durante a II Guerra Mundial como porto de abrigo de refugiados luxemburgueses e de como o Luxemburgo, décadas mais tarde, se tornou o destino de muitos portugueses que fugiam da ditadura e/ou da miséria.

A exposição está subdividida em vários temas relativos ao conflito mundial que vão desde as razões da ascensão do nazismo e o desencadear da guerra na Europa até ao destino dos que fugiam. Pelo meio relata as dificuldades encontradas pelos refugiados na sua rota de fuga, o papel de Aristides de Sousa Mendes no salvamento de milhares de pessoas, histórias dos que tiveram de se esconder em território inimigo e relembra o nome dos cerca de 900 judeus deportados a partir do Luxemburgo. Fala-se também de Portugal e da sua política de neutralidade, da passagem de milhares de refugiados por terras lusas, da estada da família Grã-ducal por Cascais, e do seu regresso no final da guerra. È ainda, através de uma caixa de luz com as fotografias de cerca de 80 dos 300 passageiros de um comboio de refugiados provenientes do Luxemburgo que não foi autorizado a entrar em Vilar Formoso.

Finalmente, a exposição debruça-se sobre a evolução do Luxemburgo no contexto europeu do pós guerra e, o caminho de Portugal, sob uma ditadura repressiva – que só terminaria em Abril de 1974 – que ditou o seu atraso económico, arrastou o país para a guerra colonial e obrigou muitos, por razões politicas e/ou económicas, a partirem.

Utilizando grandes caixas de luz que dão enfoque especial a certas temáticas, a exposição preserva a estrutura original apresentada no Luxemburgo em 2020.
O design continua a ser assinado pela dupla Sara e Pedro Gonçalves e a museografia por Luísa Pacheco Marques. No entanto, a exposição que agora se apresenta em Cascais foi enriquecida com conteúdos contemporâneos ligados a artistas luso luxemburgueses. Assim, na última sala, são apresentadas parte da instalação Memória Episodika do artista plástico Edmond Oliveira baseada na experiência de vida do seu pai, um dos primeiros emigrantes a chegar ao Luxemburgo e as fotografias de Paulo Lobo que refletem bem o impacto da presença portuguesa na paisagem luxemburguesa. É ainda apresentado um documentário sobre a residência artística no Luxemburgo do colectivo português “Borderlovers”, realizado por François Baldassare da Canopée a.s.b.l.
Para várias culturas ancestrais, os seres humanos estão ligados uns aos outros por invisíveis fios vermelhos que se cruzam, entrelaçam ou se afastam, tecendo a teia onde se inscreve a história da humanidade. Trabalhando esse conceito, Luísa Pacheco Marques criou apontamentos plásticos que marcam alguns momentos da exposição. No final, através de uma ampla caixa de luz, o conceito cenografado do Fio Vermelho torna-se evidente.

A reposição desta exposição só foi possível graças aos apoios da Câmara Municipal de de Cascais, da Câmara Municipal de Almeida, do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Europeus do Luxemburgo, do Ministério da Cultura do Luxemburgo, do Centro Nacional de Audiovisual e das empresas luxemburguesas: POST, WEALINS et LOSCH Digital Lab.

Fontes:

  • Espaço e Memória – espacoememoria.org
  • Contacto – wort.lu

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Rui Veiga

Da primária ao secundário, nas escolas da Vila, da Ginástica no CDPA à Natação e ao Polo Aquático na piscina da Escola Náutica, muito aprendi nesta terra onde vivo. Hoje com formação em História de Arte e Desenho, abracei o desafio da Voz de Paço de Arcos, de ajudar a manter um jornalismo cívico, público, de contato próximo e comunitário.

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