Os vírus continuam por aí,

Cuidado com os macacos!

Tenho alguma dificuldade em voltar ao mesmo assunto, o covid-19. Tanta tinta, ou melhor na linguagem técnica atual, tantos dígitos gastos para acompanhar os tempos da pandemia, com picos positivos logo seguido de picos negativos até atingir um patamar em desequilíbrio que nos leva a uma sexta vaga.

Esta saga já vai muito longe. O cansaço para uns ou a persistência em cumprir regras, normas e protocolos, para outros é notória.

Existe a consciência de que a virulência da última variante é mais contagiosa, mas menos mortífera, contudo a população, em especial a mais idosa, mantem-se receosa e segue com rigor as regras propostas pela entidade defensora da nossa integridade física. São efetuados testes sem limites e alimentadas estatísticas que, com aqueles dados abstratos ou com números elevados, desenvolvem o sentimento do medo.

Contrariando a racionalidade, os fisicamente mais fracos, e sem condições de manter um estado de dignidade humana, são aqueles que por vezes se agarram mais a um “fiozinho” de vida”, nem que seja mantido de forma artificial.

O facto é que o mundo com esta pandemia mudou totalmente e os antigos hábitos ou rotinas têm, pouco a pouco, sido alterados. O mundo ficou confinado! E as mentalidades também!

Para além desta confusão que paira especialmente nos idosos, surge agora uma nova e inesperada situação para dar continuidade ao espetáculo sanitário. “The show must go”! E assim os artistas, neste caso, os cientistas especialistas em previsões catastróficas, devem continuar a debitar as suas ilustres considerações para não perder o protagonismo.

Esta última novidade começou no início dos més ou um pouco antes, com o aparecimento de uns indícios de uma nova infeção vírica. Trata-se de uma doença que remonta ao século XVIII, a VARÍOLA, só que neste caso tem como intermediário o MACACO.

 Aí Mãe, deixem-me da mão! Como diria o algarvio! Agora já não é morcego, é o macaco!

A varíola do macaco, ou orthopoxvirose siminienne, é conforme refere a OMS, uma doença viral, zoonose, rara no homem e originária na República democrática do Congo desde o ano 1970. Subitamente, o Reino Unido, a Espanha e Portugal identificaram casos dessa nova doença o que causou um alarme nos vários órgãos de saúde, tendo a Espanha lançado um alerta sanitário. A OMS (Organização Mundial de Saúde) abriu um inquérito para entender esta nova incidência súbita. A situação é completamente inusitada dado tratar-se de uma doença infeciosa extremamente rara no continente europeu, só tendo sido detetada em Laboratório, em macacos para ensaios laboratoriais, em 1958.

Este novo surto de vírus da varíola, denominado em inglês “monkeypox”, tem parecenças com a varíola comum. Os sintomas são, febre, dores de cabeça, dores musculares, arrepios ou fadiga. Podem surgir erupções cutâneas com maior incidência no rosto, mas que se podem espalhar por todo o corpo e dando origem a pústulas. Segundo a OMS a doença não se revela como uma doença de muita gravidade embora incomodativa devido à formação de pústulas e algum prurido. Na maioria dos casos a situação resolve-se naturalmente tendo os sintomas uma duração entre 14 e 21 dias.

A transmissibilidade, embora conhecida, não está totalmente definida. Podemos considerar duas formas. Os primeiros casos de infeção resultam de um contato direto com sangue, líquidos biológicos ou lesões cutâneas. Esta situação do contacto com fluídos biológicos levou a que o Reino Unido fizesse uma abordagem semelhante à da Sida, mas mais nada levou a manter essa consideração.

A fase de transmissão ou 2ª fase, assemelha-se aos outros casos virais, seja por contatos próximos ou por via aérea, através das gotículas salivares, atingindo diretamente os pulmões. O tempo de incubação é geralmente de cerca de 7 dias. Certos casos podem ocasionar situações de desenlace fatal, tendo-se verificado o facto de serem mais comuns nas crianças.

Parece que o drama está para continuar, com outra roupagem é certo, mas com o mesmo tipo de complicações.

As entidades oficiais estão alertadas para este novo paradigma infecioso, embora remotamente conhecido, como sendo uma espécie de varíola pelo que reconsidera a utilização da vacina.

A vacina da varíola, uma das mais antigas e eficazes foi removida da vacinação obrigatória a partir dos anos 1980, pelo que a população já não tem essa proteção e os stocks de vacinas mantidos como garantia pelas entidades de saúde são reduzidos.

Resta-nos esperar não ter “uma sorte macaca” e que este alerta acabe sem se concretizar em outra pandemia!

Eduardo Barata
Oeiras maio 2022

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