O Topónimo CAXIAS

O Topónimo CAXIAS
No “DICIONÁRIO DO NOME DAS TERRAS – 2005” – de João Fonseca
Caxias (freg., conc. Oeiras)

A raiz etimológica de Caxias é, na opinião de vários autores, cassillas (que, em castelhano, significa pequenas casas). Há, porém, quem defenda que a palavra deriva do latim quassina (rochedo, quebra-mar), de que terá resultado Cassiae, depois, Caxia e Caxias. Mas ainda há quem pense que Caxias quer dizer «pedra que corta a água», situação que também se pode aplicar a esta localidade. Permanece a dúvida, também, e em relação a qualquer destas versões, se a grafia clássica é com “ch” ou “x“.

No “ENSAIO SOBRE A TOPONÍMIA DO CONCELHO DE OEIRAS – 1980” – de José Pedro Machado

CAXIAS
Povoação da Freg. de Paço de Arcos (Memorial, p. 36, e A. Costa)… O Topónimo pode ter sido inspirado pelos seus rochedos à beira-rio, sobre os quais foi erguido o forte de São Bruno, em 1660-(1647). Estava então cercado de água. Contra esses rochedos quebram-se as ondas. Às vezes com violência, cachinada e borbotões galgam a estrada. Caxia (em Castro Verde), no plural Caxias, provirá do lat. quassina, «rochedo, quebra- mar»; daí cassia e depois caxia; cf. o lat. quassare, donde o fr. casser, «quebrar» e o lat. cassare, donde o port. cassar. Vários outros topónimos podem apoiar esta hipótese: Cachão, rochedo situado a meio do rio Douro (São João da Pesqueira): Cachão da Rapa (Carrazeda de Ansiães), sítio do rio Douro, em cuja penedia há pinturas pré-históricas; Cachinas ou Caxinas (Vila do Conde). E numerosos Cachopos.

Assim encontrei duas opiniões quase idênticas para o topónimo mas ambas omitem Cachias.

PORÉM …
Informação do Conde de Cantanhede a D. João IV. Tres surgidouros ha de S Jião athe Belem, hum em paço darcos outro nhû posto mais para qua a que chamão o guincho em que pus quatro. No de Santa Caterina fiz duas baterias huã na ponta de Laueiras (S. Bruno) que tem seis peças de artilheria, e outra na Boaviagem que tem quatro, e entre estas duas baterias fica hum posto que chamão Cachias, onde se está fazendo huma trincheira cõ camissa de pedra e Cal, e no meyo della fica huă esplanada com quatro Canhoneiras, pera se por por artilheria, que se lhe porâ tanto que se acabar.
… Deos gde a Vm como dezeio. O pr. de 9 bro 649.(O 1º de Novembro 1649) Assignado – 0 Conde de Cantanhede

Aqui (1649), encontrei pela primeira vez a palavra original “Cachias” que, com certeza, não terá nascido neste ano. No “DICIONÁRIO ANTIGO E MODERNO – Vol. 3 – 1763” – de Pd. João Bautista de Castro.

Aqui (1763), encontrei pela última vez a palavra original “Cachias” que, com certeza, terá sobrevivido ainda mais alguns anos.

Vamos então aos factos e conclusões:

  • Ficamos assim cientes que a sua escrita original era Cachias.
  • Contestamos a sua origem em “cassillas” (casitas)!
    Existiam “Sítios” por todo o lado apenas com uma dúzia de “casitas”.
    Disso era um bom exemplo toda a margem direita do rio Tejo e nela se viam areias, escarpas e algumas casitas normalmente habitadas por pescadores.
    As povoações ficavam mais para o interior, mais perto da Estrada Real e nem sequer por ali havia castelhanos, por isso não é de admitir esta origem.
  • Vamos Explorar como o Topónimo pode ter sido inspirado pelos seus rochedos, quebra-mar, cachopos …
    Em Cachias, a margem do Tejo tem 4 aglomerados de rochedos. Desde a Gibalta, no sopé e encosta do Farol, depois no centro de Cachias sobre os quais foi construído o Forte Nª. Sª. do Vale, igualmente em relação aos Fortes de S. Bruno e de Nª. Sª. de Porto Salvo.
    Neles quebram-se as ondas e projetam-se em cachões, mas não só, também contra as muralhas que sustentam a Estrada real, tanto no centro de Cachias como entre Lagoar (Lagoal) e Guincho (Giribita). “Ás vezes com violência, cachinada e borbotões (ou borbulhões) galgam a estrada.

Na Estrada Real, antes de Cachias e depois de Paço de Arcos (porque a estrada se afastava do Tejo e seguia pelo interior para Cascaes), não aconteciam “cachões”, só neste “Sítio” eles marcavam fortemente a sua existência, interrompendo muitas vezes e por vários dias a passagem do que quer que fosse, destruindo mesmo a pequena muralha e a estrada.

As consequências eram tais, que tiveram de construir um porto de embarque em Paço de Arcos para pessoas e mercadorias que seguiam para Lisboa e assim evitavam passar por Cachias. O Conde de Oeyras tinha de ficar muitas vezes no seu Palacete na Cruz Quebrada por não poder passar por Cachias, quando se deslocava para o seu Condado.

Podemos também assim ficar cientes, que foi este fenómeno natural que deu origem ao topónimo da “nossa Terra”. Não por “quassina”, rochedos ou quebra-mar, cachopos, ou mesmo as muralhas, mas sim pelo forte efeito que eles causavam, os “cachões”, não havendo neste Sítio nada mais apropriado para lhe dar o nome.

Vemos os cachões a galgar a muralha da Estrada Marginal. Imaginemos o mesmo efeito sobre a antiga e frágil muralha da Estrada Real que era derrubada e cujas águas impediam o trânsito durante horas e dias e inundavam as casas logo ali expostas.
“Hoje, a Curva Mónaco está inundada pelos cachões”. Depois da construção da Estrada Marginal e antes de existir o Passeio Marítimo, acontecia frequentemente em vários dias invernosos e a “rádio” difundia profusamente este aviso.

A Rua Direita (parte da antiga Estrada Real) depois dum ataque dos cachões – 1960. Horas passadas e ainda a água cobria os passeios.
Igualmente “atacavam” a muralha junto à Giribita.

Carlos Alberto do Rosário Frederico de Albuquerque
Caxias, 15/MAR/2022

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